A desinformação nas redes não apenas ameaça as eleições municipais, mas também corrói a democracia

Por Robert Muggah, Pedro P. Augusto e Louise Marie Hurel

Publicado na Open Democracy

Muitos brasileiros se preocuparam com a torrente de desinformação nas redes sociais durante as eleições presidenciais americanas deste ano, que foram duramente disputadas. Isso se deu porque eles enfrentam desafios semelhantes durante suas próprias eleições municipais neste mês. Estas eleições, embora locais, são importantes: com 5.570 municípios no Brasil – incluindo cidades-chave como São Paulo e Rio de Janeiro – os resultados podem moldar o cenário político para a disputa presidencial de 2022. Assim como os americanos, os brasileiros estão votando em meio a uma pandemia devastadora, uma crise econômica ruinosa e um tsunami de propaganda digital.

O primeiro turno das eleições municipais em 15 de novembro, pelo menos, trouxe melhoras: houve menos propaganda digital e desinformação do que durante a controversa campanha presidencial em outubro de 2018. Apesar das expectativas de uma onda de vitórias da extrema-direita, apenas 14 dos 58 candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro se elegeram na semana passada. Enquanto alguns ex-membros do Exército e da polícia assumiram cargos, os eleitores esmagadoramente apoiaram políticos mais moderados e de centro-direita, incluindo um número recorde de mulheres e candidatos transgênero. Uma razão para a ausência de embates digitais desta vez se deu porque as instituições públicas e as plataformas de redes sociais tomaram medidas para mitigar fake news, discursos de ódio e difamação.

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