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Clima e segurança na América Latina e Caribe

Prazo para submissão: 20 de maio de 2019 (23h59, horário de Brasília)

As mudanças climáticas são reconhecidas como um multiplicador de insegurança e vulnerabilidade, especialmente onde os esforços de mitigação e adaptação não são implementados. Pesquisas mostram que as relações entre mudança climática e segurança são complexas; a interação com outros fatores e a velocidade e o tipo de mudanças sociais acarretadas variam conforme os contextos.

 

Em linhas gerais, as mudanças climáticas tendem a exacerbar as tensões sociais existentes e podem gerar novas disputas, seja em decorrência de desastres, seja como resultado de mudanças mais incrementais, tais como a erosão gradual do solo. Esses elos são cada vez mais reconhecidos não apenas por vários Estados, mas também pelas Nações Unidas, cujo Conselho de Segurança emitiu uma série de resoluções pedindo que o sistema e os Estados membros abordem o clima e a segurança de forma mais proativa. Há também uma preocupação crescente com o impacto do clima na segurança que pode estar dificultando o atingimento das metasdos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).  

 

 

A fim de promover respostas eficazes, os stakeholders precisam recorrer a pesquisas baseadas em evidências sobre como as mudanças climáticas afetam a vida das comunidades concretamente. Na América Latina e Caribe, as mudanças climáticas envolvem mudanças significativas nos padrões de precipitação, que afetam áreas específicas de diferentes maneiras. Do derretimento das geleiras nos Andes às inundações na bacia amazônica; da intensificação das secas no cerrado brasileiro à crescente insegurança alimentar na América Central; de eventos climáticos extremos no Caribe a mudanças nos padrões de chuva na Patagônia, todo o ecossistema da região enfrenta uma série de desafios emergentes.

 

Longe de serem confinados em áreas remotas ou escassamente povoadas, esses desafios também afetam moradores de lugares densamente povoados, incluindo grandes cidades como a Cidade do México, Lima e São Paulo. Os relatórios mais recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em particular o “Aviso Global de 1.5” de 2018, mostram o impacto potencial do aumento do nível do mar em áreas altamente povoadas na costa, com a possível necessidade de reassentamento de comunidades e de rearranjos da prestação de serviços públicos.

 

Mais pesquisas baseadas em evidências são necessárias sobre como o clima contribui para a insegurança na região, bem como sobre como os tomadores de decisão e outros stakeholders no campo da segurança vêm incorporando os cenários das mudanças climáticas nas políticas públicas, planejamento estratégico e no desenho de respostas adequadas a lidar com esses desafios. A pesquisa existente que une clima e segurança permanece fragmentada e carece de diálogo entre setores e instituições. É necessário desenvolver um corpo robusto de pesquisa interdisciplinar que incorpore soluções baseadas em conhecimento científico para mitigação dos gases de efeito estufa e adaptação nos estudos e políticas de segurança. 

A fim de promover uma pesquisa voltada para políticas sobre o tema, o Instituto Igarapé e o Instituto Clima e Sociedade (iCS), com o apoio da Embaixada da Alemanha no Brasil, estão lançando uma chamada para trabalhos para um workshop de pesquisa a ser realizado no Rio na sexta-feira, 28 de junho de 2019. Os principais objetivos do workshop são:  

 

  1. Fomentar pesquisas baseadas em evidências sobre os vínculos entre clima e segurança na América Latina, concentrando-se em um estudo de caso ou em uma comparação;
  2. Promover o debate e a discussão entre pesquisadores (incluindo os das ciências, ciências sociais e políticas) trabalhando em diferentes aspectos do nexo clima-segurança;
  3. Produzir insumos para uma publicação a ser editada em conjunto pelo Igarapé e iCS voltada principalmente a formuladores de políticas e pesquisadores, e que deverá ser lançada e discutida em um evento paralelo na COP 25 em Santiago, Chile, em dezembro de 2019.

 

Para participar, submeta até 20 de maio sua proposta com: um título, um resumo estendido (duas páginas, com espaçamento simples); e sua biografia (até 200 palavras) para climate-security@igarape.org.br .

 

As propostas serão aceitas em português, espanhol ou inglês e serão revisadas por um comitê de especialistas. Os participantes aceitos receberão subsídios de viagem para participar do workshop.  

 

Estilo de escrita: Os trabalhos devem ser escritos em linguagem clara e concisa, acessível aos formuladores de políticas. Diagramas e gráficos devem estar no Word ou Excel e claramente identificados.  

 

Os(as) candidatos(as) são fortemente encorajados a abordar pelo menos algumas das seguintes questões norteadoras em seus trabalhos:  

  1. Como o clima e a segurança estão relacionados em seu estudo? Quais são os elos causais?
  2. Como os estressores climáticos e os resultados são definidos? (se necessário, inclua um diagrama mostrando as relações entre os principais estressores, variáveis ​​intermediárias e resultados);
  3. Quem são os principais atores envolvidos e quais são as suas percepções / concepções das relações entre mudanças climáticas e segurança?
  4. Que metodologia é usada para estabelecer esses vínculos e por quê? Quais são os desafios e limitações dessa abordagem?
  5. Qual é a evidência desses links e quão forte é essa evidência?
  6. Quais são os padrões / mudanças observados?
  7. Quais são as políticas públicas relevantes para o caso específico de pesquisa?  

 

Antes do workshop, os participantes serão convidados a enviar um “seed paper” de cerca de 4.000-5.000 palavras até 16 de Junho. Os manuscritos serão revisados ​​durante o workshop pelos participantes e pelos membros do comitê. As versões finais devem ser entregues até 5 de agosto.  

 

Equipe

 

  • Adriana Erthal Abdenur, Ph.D., Coordenadora da Divisão Internacional de Paz e Segurança do Instituto Igarapé  
  • Alice de Moraes Amorim Vogas, MSc, Coordenadora do Portfólio de Políticas Climática e Engajamento do iCS – Instituto Clima e Sociedade  
  • Giovanna Kuele, Doutoranda em Ciência Política no Graduate Center da City University of New York.

 

Contatoclimate-security@igarape.org.br

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