Uma guerra falida e sem heróis

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Por Ilona Szabó

Publicado na Folha de S.Paulo

O assassinato de Kathlen Romeu, jovem de 24 anos e grávida, com um tiro de fuzil no Complexo do Lins, no Rio, representa mais um duro golpe da guerra falida e sem heróis que rege o enfrentamento à questão das drogas no Brasil. Um conflito que não nos deixa tempo para chorar a morte das vítimas antes da próxima tragédia. A epidemia de homicídios, em meio à pandemia do coronavírus, nos mantém em luto permanente.

Jackelline de Oliveira Lopes, mãe de Kathlen, afirmou que a bala não era perdida, mas direcionada. E ela está certa. O caminho das balas é uma escolha da antipolítica de segurança pública, que prioriza a letalidade como estratégia, em vez de proteger cidadãos e os próprios policiais.

O Brasil é líder em mortes por armas de fogo no mundo. Sete em cada dez homicídios no país ocorrem por tiro. Ao mesmo tempo, o país está na lanterna dos avanços em políticas de drogas no nosso hemisfério. E não por acaso: essas questões estão interligadas. A política de drogas brasileira estimula o confronto e a aniquilação, e não respeita o devido processo legal.

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