Press Release: Soluções tecnológicas para rastreabilidade da cadeia de suprimentos na Amazônia brasileira: oportunidades para o setor financeiro

Este artigo analisa as práticas atuais em padrões e benchmarking para a agricultura de soja, pecuária e extração de madeira. Embora o setor financeiro tenha iniciado o processo de adoção de políticas contra o desmatamento, poucas instituições as tornam obrigatórias para contratos de empréstimo ou as monitoram ativamente. Em 2016, uma dúzia de bancos com um total combinado de US$ 10 trilhões em ativos se juntaram no Soft Commodities

¹ Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Compact, iniciativa que visa obter maior transparência na cadeia de suprimentos do setor financeiro. Mais recentemente, as métricas do Accountability Framework e do IBC ESG do Fórum Econômico Mundial oferecem um conjunto central de métricas globais para relatórios não-financeiros, com base nos indicadores da Global Reporting Initiative (GRI) e do Carbon Disclosure Project (CDP).

Este artigo também destaca algumas das principais tecnologias que sustentam uma maior rastreabilidade das cadeias de suprimentos necessárias para medir o progresso nas métricas ESG. O Soft Commodities Compact, por exemplo, proíbe os signatários de fornecer serviços financeiros a empresas que desmatam ilegalmente, mas não oferece nenhuma maneira de medir isso objetivamente. O sensoriamento remoto, big data e inteligência artificial agora oferecem capacidade sem precedentes de rastrear impactos ambientais específicos de propriedades, licenças e concessões. Por exemplo, o Global Forest Watch, o MapBiomas e o aplicativo Terras permitem que os usuários rastreiem mudanças no uso da terra a nível de exploração, a fim de rastrear os compromissos de desmatamento zero e informar as decisões de crédito rural. Semelhante, a plataforma Trase permite aos usuários avaliar a exposição de diferentes empresas em setores de alto risco ambiental com base nos municípios em que seus fornecedores operam.

Essas ferramentas já permitem ao setor financeiro alavancar dados e tecnologias emergentes para transformar a maneira com que as empresas medem, monitoram e controlam o nível de desmatamento e uso da terra, melhorando assim a transparência, a confiabilidade das análises de risco de crédito e a integração com os padrões de relatório de ESG. Três medidas podem ser apoiadas e adotadas pelo setor financeiro para ter um impacto imediato:

(1) advogar por maior transparência por meio de um Cadastro Ambiental Rural (CAR) público e auditado e um GTA público (Guia de Trânsito Animal);
(2) condicionar a aprovação de crédito a informações trianguladas e verificadas por dados de satélite do registro de terra, incluindo CAR, Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV), e de GTAs;
(3) integrar indicadores de desmatamento e uso da terra nas métricas ESG existentes para medir com mais precisão os riscos físicos e de transição nas cadeias de suprimentos das empresas.

A adoção desses pontos melhorará significativamente a transparência das cadeias de suprimentos, aumentará os padrões de aprovação de crédito e a capacidade das instituições financeiras em realizar um financiamento seguro em questões climáticas. Do ponto de vista ambiental, essas três prioridades têm o potencial de aumentar a transparência e, assim, tornar os atores públicos e privados mais responsáveis em termos de impactos da cadeia de suprimentos no capital natural, reduzindo a escala e a frequência do financiamento de

projetos irregulares. O setor financeiro está, portanto, em uma posição única para moldar a agenda e impulsionar as mudanças necessárias para impedir os danos irreversíveis ao bioma amazônico e ao clima.

O artigo está disponível aqui.

Para entrevistas com os autores, entre em contato com Renata Rodrigues: renatarodrigues@igarape.org.br I (21) 98038-2376

Sobre o Instituto Igarapé

O Instituto Igarapé é um think and do tank independente, dedicado à integração das agendas de segurança, clima e desenvolvimento. Nosso objetivo é propor soluções e parcerias a desafios globais por meio de pesquisas, novas tecnologias, influência em políticas públicas e comunicação. Atualmente, o Instituto vem desenvolvendo um amplo projeto para mapear crimes ambientais na Bacia Amazônica em parceria com a Interpol, UNODC e InSight Crime. Premiada como a melhor ONG de Direitos Humanos no ano de 2018, o melhor think tank em política social pela Prospect Magazine em 2019 e considerada pelo Instituto Doar, pelo segundo ano consecutivo, como uma das 100 melhores organizações brasileiras do terceiro setor.