Segurança para o desenvolvimento

Folha de S. Paulo

Dezembro, 2017

Os brasileiros farão escolhas determinantes em 2018. Uma delas é sobre o futuro da segurança pública. Teremos dois caminhos. O primeiro nos levará a um mundo de muros mais altos, carros blindados, segurança privada e porte de armas para aqueles que podem pagar. O outro, é uma visão mais esperançosa de uma sociedade engajada onde crianças brincam nas praças e cidadãos caminham pelas ruas sem medo. Neste último, o policiamento, a justiça criminal e a segurança são bens públicos.

Se você acredita na primeira visão, convido-o a começar uma conversa comigoe com os que estão interessados na última abordagem. Contudo, aviso com antecedência. Este diálogo será baseado em fatos, não em emoções.

Nos últimos 15 anos tive a oportunidade de trabalhar com distintos temas da agenda de segurança pública e justiça criminal. Essa trajetória começou meio por acaso. Eu nasci em Nova Friburgo e me mudei para o Rio de Janeiro para cursar faculdade. Friburgo era uma cidade segura. Eu cresci sem medo. Tinha consciência social, mas foi somente na chegada ao Rio que compreendi o tamanho da nossa desigualdade. Trabalhei por quase cinco anos em bancos de investimentos. Sempre quis conhecer as favelas, mas meus novos amigos do trabalho não acessavam essa realidade.

A ficha caiu quando uma amiga da faculdade me chamou para visitar uma instituição onde adolescentes cumpriam medidas socioeducativas. Ali entendi que a violência também era desigual. Dependendo do seu CEP de nascimento e da cor da sua pele, suas chances de ser preso, viver ou morrer são maiores ou menores. A violência é a principal causa de morte entre adolescentes brasileiros de 10 a 19 anos. No resto do mundo as principais causas de mortes na mesma faixa etária são: acidentes de trânsito, infecções respiratórias, suicídio, infecções intestinais e afogamentos.

Saí do banco e fui fazer um mestrado fora do Brasil. Minha decisão já estava tomada: voltaria para contribuir com a prevenção e redução da violência em meu país. Desde então a jornada foi repleta de momentos marcantes. Dentre os destaques estão a experiência da coordenação da campanha nacional de entrega voluntária de armas e do referendo de 2005, a vivência internacional com a Comissão Global de Políticas sobre Drogas e a cofundação em 2011 do Instituto Igarapé, uma instituição sem fins lucrativos, independente, apartidária, com sede no Rio de Janeiro, mas cuja atuação transcende fronteiras.

No Igarapé, com minha equipe multidisciplinar, dedico meus dias a buscar soluções inovadoras para os desafios nas áreas de segurança pública, políticas de drogas, redução de homicídios, segurança cibernética e internacional. Fazemos isso por meio de dados e pesquisas, desenvolvimento de novas tecnologias, comunicação e articulação de parcerias que possam impactar positivamente legislações, programas e políticas públicas. Acreditamos que a segurança é um bem público e é precondição para o desenvolvimento do país. Nossa meta: ajudar a tornar o Brasil um país mais seguro para todos.

É sobre esses e outros temas relacionados à construção de cidades e nações mais seguras, humanas e democráticas que escreverei quinzenalmente nesta coluna. A intenção é dialogar, formar parcerias, buscar caminhos e construir soluções baseadas em evidências. Só assim faremos melhores escolhas e tiraremos nosso país do mapa da morte mundial. Sua participação nessa empreitada é fundamental.

Por Ilona Szabó