Policiais de Santa Catarina passam a usar câmeras em uniformes

Primeiro programa, em larga escala, no Brasil é resultado de parceria com o Instituto Igarapé

Todos os policiais em operação nas ruas de Santa Catarina vão utilizar câmeras corporais acopladas aos seus uniformes. Serão 2500 câmeras usadas em todas as regiões do Estado, iniciando na região de Florianópolis,  a partir do dia 22 de julho (segunda-feira). O primeiro programa, em larga escala, de câmeras policiais corporais do Brasil é uma parceria do Instituto Igarapé e da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e segue os protocolos internacionais de segurança e estabilidade.

As câmeras que serão usadas pelos policiais catarinenses gravam áudio, vídeo e localização geográfica. Seus dados serão armazenados em servidores seguros mantidos pela PMSC e acessados com o software CopCast, desenvolvido pelo Instituto Igarapé em colaboração com a Google Jigsaw. Sistemas avançados de criptografia garantem a segurança das informações geradas, armazenadas e transmitidas, e a privacidade dos usuários. Os dados e vídeos podem ser acessados em computadores e tablets ou projetados nas telas dos Centros Integrados de Segurança Pública para o comando de operações.

O sistema alia simplicidade de uso e uma série de funcionalidades avançadas. É capaz de melhorar tanto a investigação de crimes quanto a fiscalização do trabalho policial, acessando os vídeos das ocorrências gravadas..

A instalação das câmeras custou R$ 6,2 milhões, doados à PMSC pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Os recursos vêm das transações penais, penas pecuniárias que substituem a prisão, aplicadas pelos juízes nas 111 comarcas do Estado.

O Instituto Igarapé também apoiou a PMSC na produção dos protocolos de uso das câmeras, com referências de melhores práticas implementadas por polícias nos Estados Unidos e Europa. De acordo com os protocolos, os policiais devem gravar todas as interações com o público durante as ocorrências, e informar às pessoas, assim que possível, a respeito das gravações.

O aplicativo CopCast começou a ser testado em 2013. Foi utilizado por mais de 120 policiais em quatro localidades do Rio de Janeiro. Na África do Sul, foi testado em 2016 e 2017 por mais de 200 usuários da Polícia Metropolitana e Rodoviária na Cidade do Cabo e em Joanesburgo. O Departamento de Polícia da cidade de Jersey City, em Nova Jersey, Estados Unidos, vem utilizando a tecnologia desde 2018 com sessenta usuários da guarda de trânsito.

Em paralelo, o Instituto Igarapé e a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) estão implementando um estudo científico em cinco batalhões, para checar os efeitos da tecnologia na segurança pública e nas relações entre os policiais e a comunidade.  O estudo é conduzido em parceria com pesquisadores da Universidade de Warwick, do Reino Unido. Os resultados serão divulgados após a conclusão do estudo em 2020.

 

Sobre o Instituto Igarapé:

O Instituto Igarapé é um think and do tank independente, dedicado à integração das agendas da segurança, justiça e do desenvolvimento. A missão do Instituto Igarapé é tornar o Brasil e os países do sul global mais seguros. Seu objetivo é propor soluções inovadoras a desafios sociais complexos, por meio de pesquisas, novas tecnologias, influência em políticas públicas e articulação.

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