Nova plataforma de visualização prevê os riscos futuros para as cidades do mundo

Janeiro de 2017

fragi-miniOs estados-nação do mundo inteiro estão precisando se empenhar cada vez mais para assegurar estabilidade e prosperidade. Instituições internacionais como a ONU não têm conseguido prevenir conflitos, terrorismo e a mudança climática. As cidades, no entanto, vêm atuando de forma mais intensa e cumprindo um papel cada vez mais importante na conformação das questões globais.

Embora saibamos muito sobre estados-nação, ainda sabemos relativamente pouco sobre a maioria das cidades do mundo. Isso é ainda mais notável se considerarmos que dois terços da população mundial residirá em cidades em 2030. Mas são as cidades que moldarão as trajetórias futuras de paz e segurança no século XXI.

O Instituto Igarapé – um think and do tank – vai lançar uma nova plataforma de visualização de dados para preencher essa lacuna de conhecimento na reunião do Fórum Econômico Mundial, que será realizada em Davos de 17 a 19 de janeiro. Desenvolvida em parceria com a UN University, XSeer, 100 Resilient Cities e o Fórum Econômico Mundial, a plataforma Fragile Cities apresenta riscos importantes que confrontam mais de 2.100 cidades (com população de 250 mil pessoas ou mais) por todo o mundo.

A visualização de dados sobre cidades frágeis é o maior repositório de dados sobre risco urbano disponível publicamente. Ela traz informações sobre crescimento populacional, desigualdade, desemprego, acesso a eletricidade, poluição, mortes por terrorismo, taxas de homicídio, eventos de conflito relatados e exposição a perigos naturais e riscos climáticos. São fornecidos dados relativos ao período 2000-2015. Além disso, a plataforma tem uma capacidade de prognóstico que permite prever riscos de fragilidade futura até 2030.
“Um número significativo de cidades do mundo é frágil”, explica Robert Muggah, diretor de pesquisa do Instituto Igarapé. “A fragilidade das cidades também parece estar piorando com o passar do tempo.” A visualização de dados demonstra que, grosso modo, 11% de todas as 2.100 cidades exibem alta fragilidade, 71% registram média fragilidade e 13% apresentam baixa fragilidade.

A fragilidade urbana não está distribuída de forma uniforme, mas sim concentrada em algumas regiões. As cidades mais frágeis estão agrupadas no Oriente Médio e no Norte da África, na África Ocidental, na África Central e no Sul e no Centro da Ásia. Cidades na Síria, Iraque, Iêmen, Líbia, Somália, Sudão, Nigéria, Afeganistão, Paquistão, Bangladesh e Filipinas estão especialmente em risco. Também há sinais de alerta em algumas partes da América Central, do Caribe e da China.

Há também bolsões de cidades que apresentam dados de fragilidade muito baixos. “A boa notícia é que a fragilidade de uma cidade não é permanente”, acrescenta Muggah. A maioria das cidades australianas, canadenses, finlandesas, norueguesas, suíças e japonesas relata baixos níveis de fragilidade urbana. Há também exemplos de melhorias notáveis, por exemplo, na Colômbia, na Etiópia e em Ruanda.

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As cidades enfrentarão muitos desafios nos próximos anos. Para superar essas ameaças, prefeitos e líderes cívicos precisarão estar mais informados e preparados do que nunca. A visualização de dados sobre cidades frágeis pretende dar a governantes e representantes eleitos, planejadores, investidores e ativistas informações sobre riscos urbanos. Evidentemente, essas ferramentas são apenas um começo, mas espera-se que elas possam ajudar os líderes a se conduzir bem durante a tempestade que se avizinha.

O Instituto Igarapé lançará a plataforma em três eventos distintos em Davos. Já há 50 chefes de Estado e mais de 3 mil participantes confirmados para a conferência de janeiro. Uma versão anterior da plataforma foi apresentada no final de 2016 em Haia, Quito, San Francisco, Estocolmo e Tóquio. “Esta nova visualização de dados é a primeira ferramenta pública com dados abrangentes de cidades. Esperamos que ela inspire um novo modo de pensar sobre a gestão da fragilidade e da resiliência das cidades”, conclui Muggah.