Intervenção no RJ coloca segurança pública como foco e pode alterar jogo eleitoral

05/03/2018

Reportagem originalmente publicada no site da Jovem Pan
Para alguns, jogada de marketing eleitoral; para outros, medida urgente, de estadista, imposta por uma realidade sangrenta; para todos, ação controversa de resultado incerto capaz de alterar a corrida ao Palácio do Planalto.

Passo mais ousado de Michel Temer à frente da República, a intervenção federal no Rio de Janeiro fez com que os presidenciáveis, de modo geral, colocassem a bandeira da segurança pública em um patamar mais alto.

Na última quinta-feira (1º), em um discurso que sinaliza quão eminente será o tema na eleição de outubro, Temer anunciou um empréstimo de R$ 42 bilhões, com recursos do BNDES, para reequipar as polícias nos Estados.

Como essa nova realidade pode alterar o tabuleiro eleitoral? O cientista político Murillo de Aragão respondeu: “o interesse dos presidenciáveis sobre o tema vai ser aumentado ou diminuído de acordo com o sucesso da intervenção federal. Se a intervenção tiver muito sucesso alavanca Michel Temer ou candidatura governista, se fracassar, dá narrativa para outros candidatos apontarem outras soluções”.

Diante do quadro de violência não só no Rio como em outros estados, Murillo de Aragão considerou positivo o combate à criminalidade ter se tornado, ou estar se tornando, bandeira comum dos candidatos. Daqui até o pleito, a maior parte dos holofotes na política estará voltada para o tema.

Também cientista política, a diretora-executiva do Instituto Igarapé, Ilona Szábo, disse que é preciso aproveitar o momento para aprimorar o debate sobre a segurança pública no Brasil: “nós só vamos conseguir ter melhora sustentável na segurança púbica se tiver continuidade”.

Quando presidentes, FHC, Lula e Dilma Rousseff lançaram planos para o setor. Desnecessário dizer que não obtiveram o efeito esperado. No Rio de Janeiro, símbolo do fracasso das políticas públicas com foco na segurança, em 2017, foram registrados 32.5 homicídios por 100 mil habitantes. O índice aceitável pela Organização Mundial da Saúde é de 10 mortes por 100 mil.

A sete meses da eleição, os presidenciáveis vão precisar lançar muito mais do que balas de prata para mitigar a violência urbana e para conquistar a confiança da população.