Com criptomoedas e drones, crime ambiental na Amazônia se conecta a cadeias globais

Por Ilona Szabó, Robert Muggah e Brodie Ferguson

Publicado na Folha de S.Paulo

[RESUMO] Autores argumentam que conglomerados agroindustriais e seus fornecedores locais são os principais responsáveis pelo desmatamento na Amazônia e que, embora parte do setor privado tenha começado a liderar iniciativas para combater o crime ambiental na região, é preciso ampliar a articulação de órgãos públicos e a cooperação internacional.​

A degradação da bacia amazônica está se aproximando de um ponto de inflexão irreversível. Dentro de alguns anos, a maior floresta tropical do mundo pode passar por uma morte que não afetará apenas os países da América do Sul, mas será um golpe fatal nos esforços globais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Não é segredo para ninguém quem devemos cobrar por isso. Os principais culpados são um grupo de indústrias e de indivíduos responsáveis pelo desmatamento ilegal. Mais de 90% de todo o desmatamento é ilegal, o que significa que combater o crime ambiental é a chave para combater as mudanças climáticas.

O Brasil abriga 60% da bacia amazônica e vem sendo o epicentro do desmatamento ilegal. Há sinais de que a situação está piorando. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) relatou um aumento de 85% no desmatamento na Amazônia entre 2018 e 2019. Enquanto a Covid-19 mantém as pessoas preocupadas, o desmatamento aumentou outros 34% em 2020.

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