Superlotação em prisões de Idaho expõe encarceramento em massa nos EUA

Publicado na Folha de S.Paulo

Com Robert Muggah

No próximo dia 30 termina o contrato de dois anos firmado entre o departamento penitenciário de Idaho, no noroeste dos EUA, e um presídio privado no Texas, a mais de 2.000 quilômetros de distância, para onde foram transferidos 651 presos que não cabiam nas instituições de correção do estado.

Com uma das taxas de encarceramento mais altas do país —734 presos por 100 mil habitantes, mais que o dobro da do Brasil—, Idaho não conseguiu solucionar a superlotação de seu sistema prisional. E o jeito foi contratar mais de 1.000 vagas, agora em outra penitenciária privada, no Arizona.

“A história da guerra às drogas liderada pelos EUA e o encarceramento em massa estão intimamente ligados”, explica o cientista político Robert Muggah, diretor de pesquisa do Instituto Igarapé, especializado em segurança.

Essas ligações começaram na administração do presidente Richard Nixon, que declarou guerra às drogas em 1971, e foi encampada por Ronald Reagan, cujos mandatos viram a população carcerária americana dobrar.

“A guerra contra as drogas e as políticas de encarceramento em massa há muito tempo ressoam em boa parte do Partido Republicano. A tolerância zero era emblema do mantra de ‘lei e ordem’ adotado pelos conservadores americanos”, diz.

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