Ouro na Amazônia: Como a cadeia funciona entre a norma e a prática

A mineração amazônica é marcada por fatores econômicos, territoriais e logísticos complexos, com frentes móveis de garimpo, ocupação de áreas remotas, uso intensivo de máquinas e circulação constante de trabalhadores, equipamentos e suprimentos. A combinação entre o alto preço internacional do ouro, redes locais de apoio e mecanismos de ocultação da origem do ouro estimula a expansão da atividade e dificulta o controle da cadeia produtiva.
Uma questão pouco debatida sobre a mineração na Amazônia é como aplicar, na prática, um protocolo adequado para a obtenção legal de ouro na região. A resposta depende não apenas da legislação, mas da compreensão do funcionamento da atividade no território, incluindo a identificação de etapas controláveis, gargalos operacionais e limites da formalização.
Entender essa dinâmica é essencial para que atores públicos e privados envolvidos na cadeia do ouro consigam distinguir operações legais de arranjos apenas formalizados, e também contribui para a criação de mecanismos de fiscalização e governança mais realistas.
Apesar da ampla produção científica sobre os impactos socioambientais da mineração, falta uma abordagem que integre território, processo produtivo e organização interna da atividade. Grande parte da literatura especializada descreve impactos e conflitos. No entanto, raramente reconstrói de forma sistemática o funcionamento da mineração e a circulação do ouro entre espaços formais e informais.
Este estudo busca preencher essa lacuna analítica ao apresentar o funcionamento real dos diferentes tipos de mineração desde a etapa inicial. O documento descreve as cadeias operacionais do garimpo, analisa as etapas de extração, beneficiamento, transporte e comercialização e reconstrói, enfim, como a atividade se territorializa e se sustenta. Essa compreensão é fundamental para orientar decisões e políticas públicas eficazes.
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