A geopolítica dos minerais críticos e as implicações para o Brasil e o Canadá

Os minerais críticos deixaram de ocupar uma posição secundária na política industrial para se tornar centrais na competição geopolítica. Cobalto, cobre, lítio, níquel, grafite e terras raras sustentam hoje três imperativos estratégicos: transição energética, infraestrutura digital e prontidão de defesa. À medida que a rivalidade entre Estados Unidos e China se intensifica – e que a China utiliza sua dominância no processamento como instrumento de poder – governos vêm redesenhando cadeias de suprimento por meio de novas alianças e instrumentos de política.

Brasil e Canadá ocupam posições centrais nessa nova ordem mineral. Ambos combinam forte base geológica com capacidade institucional e alcance diplomático. O Canadá reúne uma base diversificada de extração, ambições crescentes nas etapas intermediárias da cadeia e uma abordagem coordenada de governo, fortalecida durante sua presidência do G7 em 2025. O Brasil, por sua vez, conta com reservas extraordinárias e uma política industrial mais assertiva, voltada à ampliação do valor gerado no país e à redução da dependência da exportação de matérias-primas. 

Ainda assim, os dois países enfrentam um mesmo desafio estrutural: transformar abundância de recursos em influência econômica e geopolítica duradoura. A dominância chinesa no processamento resulta de décadas de acumulação de capacidade tecnológica, conhecimento de processos e formação de mão de obra especializada – não apenas de subsídios. Reduzir essa defasagem exige investimento contínuo nas etapas intermediárias da cadeia, especialmente em refino, conversão química e qualificação técnica.

O artigo examina as forças que estão moldando o cenário global dos minerais críticos, incluindo a dinâmica da demanda, as vulnerabilidades das cadeias de suprimento e os instrumentos geoeconômicos utilizados pelas grandes potências. Analisa também como Brasil e Canadá estão se posicionando nessa arquitetura em transformação – tanto individualmente quanto como potenciais parceiros.

Por fim, apresenta caminhos para a cooperação bilateral e regional, como a criação de um corredor Canadá–Brasil para as etapas intermediárias da cadeia, o alinhamento de padrões, o investimento em capital humano e o fortalecimento da infraestrutura regional. A janela de oportunidade está se fechando: à medida que a governança global dos minerais se consolida, países que agirem de forma estratégica terão maior capacidade de influenciar suas regras.

 

Saiba mais a respeito deste tema nos boletins The Amazon and the new mineral resource order and The scramble to secure critical minerals could exacerbate geopolitical, ecological, and planetary instability, e também no artigo Minerais críticos e estratégicos do Brasil em um mundo em transformação

 

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