Sinergias clima-natureza na COP30 e além

A COP30, realizada em Belém em 2025, marcou um avanço importante no fortalecimento de sinergias entre clima e natureza no âmbito das iniciativas das Nações Unidas para o enfrentamento da crise climática. Pela primeira vez, as conexões entre ação climática, proteção de ecossistemas e governança do uso da terra apareceram de forma transversal nos quatro pilares da conferência: a Cúpula de Líderes, as negociações, a Agenda de Ação e a mobilização mais ampla da sociedade.

Embora o encontro tenha ocorrido em um contexto de agravamento da crise planetária – com a intensificação das mudanças climáticas, a perda acelerada de biodiversidade e a degradação da terra – registraram-se avanços políticos e processuais concretos que recolocaram a necessidade de políticas integradas no centro do debate internacional. Ainda assim, a ausência de mecanismos institucionais capazes de promover sinergias entre as agendas globais de clima e natureza continua limitando ações sistêmicas, gerando esforços duplicados, financiamento fragmentado e baixa articulação no apoio à implementação nacional.

Em 2024, as COPs da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) e da Convenção de Combate à Desertificação (UNCCD) adotaram decisões para fortalecer a coordenação multilateral e a coerência de políticas. No âmbito da Convenção do Clima (UNFCCC), porém, houve pouco avanço concreto. Nesse cenário, a COP30 realizada na Amazônia – maior floresta tropical do mundo e um dos principais reservatórios globais de carbono e biodiversidade – reforçou a urgência de conectar ação climática, conservação ambiental, transição energética e desenvolvimento sustentável, incluindo a meta de deter e reverter o desmatamento até 2030. A COP30 também elevou as sinergias entre clima e natureza a uma prioridade política compartilhada entre governos, instituições multilaterais e atores não estatais. 

Os resultados de Belém indicam avanços políticos e processuais que podem abrir caminho para uma implementação mais integrada das agendas ambientais globais nos próximos anos. O debate iniciado na COP30 estabelece bases para fortalecer a governança entre as Convenções do Rio e orienta o ciclo de conferências internacionais previsto para 2026, incluindo a COP31 do clima, a COP17 da UNCCD e a COP17 da CBD

 

Leia a publicação (apenas em inglês)

 

Conheça mais sobre o tema no Artigo Estratégico 65, Sinergias Clima-Natureza: do local ao global, e também no boletim Rumo a um Conselho global de Clima e Natureza: Fortalecendo o mutirão climático e modelando o futuro da governança global

 

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