BRICS em Transição: Trajetórias Nacionais, Liderança Global e o Futuro da Cooperação em Energia Limpa

Este relatório analisa como oito países selecionados do BRICS — Brasil, China, Egito, Etiópia, Índia, Indonésia, África do Sul e Emirados Árabes Unidos (EAU) — estão moldando a transição energética global ao mesmo tempo em que conciliam metas climáticas com prioridades de desenvolvimento.
Esses países reúnem grandes produtores de combustíveis fósseis, líderes em energias renováveis, fabricantes de tecnologias limpas, fornecedores de minerais críticos e atores cada vez mais relevantes no financiamento climático. Apesar de seguirem trajetórias distintas, todos enfrentam o desafio de equilibrar descarbonização, segurança energética, acessibilidade, custos e crescimento econômico.
O Brasil destaca-se pela elevada participação de fontes renováveis e pelos biocombustíveis, embora continue expandindo a produção de petróleo. A China lidera a manufatura global de tecnologias renováveis, mas mantém forte dependência do carvão. A Índia amplia rapidamente a energia solar e o hidrogênio verde, enquanto administra regiões dependentes do carvão. A Indonésia combina investimentos em geotermia e baterias com a continuidade da exploração de carvão. A África do Sul busca uma transição justa diante de um sistema elétrico envelhecido e baseado em carvão. Egito, Etiópia e Emirados Árabes desenvolvem estratégias voltadas para energia solar, hidrelétrica, hidrogênio verde e investimentos em energia limpa.
Além das políticas nacionais, esses países ampliam a cooperação Sul-Sul por meio de financiamento, transferência de tecnologia, desenvolvimento de infraestrutura e intercâmbio de políticas públicas, podendo desempenhar papel decisivo na aceleração da transição energética global.
O relatório argumenta que a cooperação energética no BRICS vai além da diplomacia climática e envolve estratégia industrial, infraestrutura, financiamento ao desenvolvimento, influência geopolítica e cadeias globais de valor de tecnologias limpas. Entretanto, essa cooperação permanece fragmentada, subfinanciada e limitada pela dependência contínua dos combustíveis fósseis.
Entre as recomendações de curto prazo estão a criação de uma linha verde no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), uma folha de rota conjunta para a transição dos combustíveis fósseis, um mecanismo para apoiar regiões dependentes do carvão, padrões comuns para minerais críticos e tecnologias limpas, uma carteira de projetos financiáveis de energia limpa e um observatório para monitorar compromissos e implementação.
No médio e longo prazo, o estudo propõe centros conjuntos de pesquisa, integração de redes elétricas transfronteiriças, ampliação de parcerias trilaterais e maior coordenação das posições do BRICS nas negociações climáticas internacionais.
O relatório conclui que os países do BRICS dispõem de escala, recursos e capacidade institucional para impulsionar a transição energética mundial. O principal desafio já não é definir metas climáticas ambiciosas, mas implementá-las superando limitações de infraestrutura, lacunas de financiamento, dependência dos combustíveis fósseis e os custos sociais de uma transição justa.
Leia a publicação em inglês
Saiba mais a respeito deste tema nos boletins Brazil’s BRICS Presidency and COP30: Advances and Next Steps in the Climate Agenda and The BRICS and the Decarbonization and Biodiversity Protection Challenges