A Amazônia e a nova ordem dos recursos minerais

Este Global Futures Bulletin analisa como a Amazônia vem sendo cada vez mais vista não apenas como um ativo ambiental, mas também como uma fonte estratégica de minerais essenciais para a transição energética e para os modernos sistemas de defesa. 

Depósitos de cobre, níquel, bauxita, manganês, nióbio e terras raras ganharam relevância geopolítica em meio à competição global e aos esforços de diversificação das cadeias globais de suprimento, impulsionados pela crescente demanda por tecnologias de energia limpa e sistemas militares avançados.

A bacia amazônica abrange oito países, cada um com capacidades regulatórias distintas, mas compartilhando riscos comuns, como a sobreposição de áreas minerárias com terras indígenas, unidades de conservação e ecossistemas frágeis. A expansão da mineração tende a abrir corredores de ocupação, estimular o desmatamento e favorecer economias ilícitas. O Brasil ocupa posição central, combinando grande potencial mineral com capacidade industrial, mas enfrenta riscos associados ao enfraquecimento do licenciamento ambiental, a conflitos territoriais e a impactos socioambientais.

Em países como a Colômbia, o Peru e a Venezuela, a mineração ilegal está fortemente associada ao crime organizado, à contaminação por mercúrio e à violência, o que compromete qualquer agenda de minerais estratégicos. Ao mesmo tempo, grandes potências, especialmente Estados Unidos e China, disputam influência sobre essas cadeias, utilizando acordos comerciais, financiamento e instrumentos de política industrial. O texto argumenta que o futuro da mineração na Amazônia não depende apenas da geologia, mas também da qualidade das instituições, da capacidade de conter ilegalidades e de garantir salvaguardas ambientais, do consentimento indígena e da repartição justa de benefícios.

 

Leia a publicação em inglês

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