Vozes das Amazônias nas Conferências do Clima: Reflexões sobre a participação indígena em Belém
Nos últimos vinte anos, a Amazônia tem ampliado de forma significativa sua presença e protagonismo em espaços multilaterais de decisão, como as Conferências das Partes (COPs) sobre Clima e Biodiversidade, além de diversos fóruns das Nações Unidas (ONU) e outras arenas globais. À medida que se torna cada vez mais evidente a relevância planetária do bioma amazônico, também se multiplicam as vozes da região que buscam incidir na governança global. Nesse contexto, destaca-se o protagonismo dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e as múltiplas Amazônias urbanas.
Esses atores ampliaram sua atuação na COP30, desde as salas de negociação e pavilhões oficiais até eventos na chamada Zona Verde e mobilizações nas ruas. Organizações regionais, como a OTCA e o Consórcio de Governadores da Amazônia Legal, também passaram a ocupar espaços formais com maior intensidade, refletindo um engajamento crescente da região.
Mais do que o simbolismo de sediar a primeira COP na Amazônia em um contexto de emergência climática, a COP30, realizada em Belém, colocou as florestas tropicais no centro do debate climático global. O evento evidenciou a pluralidade de territórios, identidades e experiências que compõem a Bacia Amazônica, e ecoou um grito coletivo da Amazônia: um chamado por justiça, coerência e reconhecimento.
Apesar das limitações e críticas recorrentes aos processos das COPs, o espaço deu visibilidade aos atores da região, que puderam expressar suas demandas por reconhecimento, direitos territoriais e novas abordagens para a relação entre clima e biodiversidade, com maior centralidade para os povos indígenas e seus saberes.
Ao mesmo tempo em que celebrou avanços, a COP30 também expôs contradições e limites do regime climático internacional e das políticas nacionais. Este boletim reúne reflexões sobre essas dinâmicas, destacando as vozes amazônicas e suas contribuições para repensar caminhos possíveis diante da crise climática global.
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Saiba mais a respeito deste tema no Boletim Futuros Globais: Rumo a um Conselho Global de Clima e Natureza: Fortalecendo o mutirão climático e modelando o futuro da governança global e no Artigo Estratégico 65 Sinergias Clima-Natureza: do Local ao Global