Igarapé apresenta estudos inéditos e debate caminhos para enfrentar o crime organizado no Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Participação no 20º Encontro reuniu debates sobre mineração ilegal de ouro, lavagem de dinheiro, governança criminal e reintegração de pessoas egressas do sistema prisional
O Instituto Igarapé participou do 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado de 15 a 18 de setembro de 2026, em São Paulo, com o lançamento de duas publicações e uma agenda de debates sobre o enfrentamento ao crime organizado e aos crimes ambientais. Melina Risso, diretora de pesquisa, e Vivian Calderoni, diretora adjunta do Instituto, representaram o Igarapé em discussões sobre cooperação regional, controle de fluxos ilícitos, conexões entre atividades legais e ilegais e políticas de reintegração de pessoas egressas do sistema prisional.
No painel “Organizações criminosas e garimpo ilegal de ouro na Pan-Amazônia”, Melina Risso discutiu as dinâmicas da mineração ilegal no Peru, na Colômbia, no Equador e no Brasil e a importância da articulação entre países para enfrentar o problema. Na ocasião, o Igarapé lançou a publicação “A primeira compra de ouro como ponto de controle: rumo a um patamar mínimo para impedir a entrada do ouro ilegal no mercado”.
A partir da análise dos sistemas de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru, o estudo propõe critérios mínimos comuns para a primeira compra de ouro na região amazônica. A proposta busca fortalecer a coordenação regional e dificultar a entrada do ouro de origem ilegal no mercado formal, estabelecendo esse momento da comercialização como um ponto estratégico de controle.
O enfrentamento às economias ilícitas também esteve no centro do painel “Crime Organizado, Asfixia Financeira e Inovações Legislativas”. O debate destacou a importância de fortalecer o sistema antilavagem e a coordenação institucional. Vivian Calderoni chamou atenção para a necessidade de preparar esse sistema para identificar e rastrear tanto os fluxos financeiros ilícitos quanto os próprios bens ambientais associados a esses crimes.
Já no painel “Governança Criminal: fluxos transnacionais, ameaças sistêmicas, controle de territórios e convergências entre o lícito e o ilícito”, Melina Risso apresentou o conceito de ecossistema do crime ambiental. Essa abordagem examina as conexões entre diferentes atividades lícitas e ilícitas, atores e fluxos, contribuindo para compreender como essas redes operam. A discussão também abordou o conceito de governança criminal e sua aplicação ao cenário atual.
A participação do Igarapé incluiu ainda o lançamento de “Recomeço Seguro: resultados da intervenção de atendimento a egressos do sistema penitenciário em Pernambuco”, no painel sobre empregabilidade de pessoas presas e egressas em contratos públicos do sistema de transportes. O estudo avaliou um projeto que combinou preparação para a liberdade e acompanhamento por três meses após a saída do sistema prisional.
A pesquisa examinou os efeitos da intervenção na redução de vulnerabilidades e no acesso a direitos, oferecendo evidências para aprimorar e adaptar o modelo. Ao ampliar o acesso a serviços e oportunidades, políticas de reintegração podem contribuir para prevenir o recrutamento pelo crime e fortalecer a segurança pública.
Com os estudos e debates apresentados no encontro, o Igarapé contribuiu para uma agenda de enfrentamento ao crime que reúne cooperação regional, investigação financeira, controle das cadeias de comercialização de bens ambientais e políticas voltadas à transição do sistema prisional para a liberdade.