BRICS EM TRANSIÇÃO: Trajetórias Nacionais, Liderança Global e o Futuro da Cooperação em Soluções Baseadas na Natureza e na Bioeconomia

Este relatório analisa como oito países selecionados do BRICS — Brasil, China, Egito, Etiópia, Índia, Indonésia, África do Sul e Emirados Árabes Unidos (EAU) — estão promovendo Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e a bioeconomia para enfrentar as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e impulsionar o desenvolvimento sustentável. O estudo argumenta que esses países reúnem capital natural, capacidade institucional e crescente influência internacional para liderar uma transição positiva para a natureza, mas que a cooperação ainda permanece fragmentada, subfinanciada, pouco padronizada e insuficientemente conectada às instituições responsáveis por sua implementação.

Os países analisados concentram alguns dos ecossistemas mais importantes do planeta, incluindo a Amazônia, as florestas do Sudeste Asiático, paisagens africanas, manguezais e regiões áridas. Cada país adota uma estratégia própria: o Brasil integra conservação da biodiversidade e bioeconomia; a China incorpora as SbN ao conceito de Civilização Ecológica; a Etiópia desenvolveu uma estratégia nacional de bioeconomia; Egito e Etiópia promovem adaptação baseada em ecossistemas; a Índia concilia reflorestamento e desenvolvimento rural; a Indonésia prioriza a restauração de turfeiras e manguezais; a África do Sul associa restauração ecológica à geração de empregos e à transição justa; e os Emirados Árabes investem em inovação tecnológica para adaptação em ambientes desérticos.

No plano internacional, esses países exercem influência crescente em agendas globais de clima, biodiversidade e restauração. O Brasil impulsionou princípios para a bioeconomia e o financiamento de florestas tropicais durante as presidências do G20 e da COP30. A China amplia padrões ambientais em investimentos externos e fortalece a cooperação em agricultura inteligente para o clima. A Índia promove parcerias Sul-Sul; Indonésia e Emirados lideram iniciativas em carbono azul; a África do Sul fortalece abordagens de economia circular e azul; e Egito e Etiópia contribuem para iniciativas africanas de restauração e adaptação climática.

Embora haja avanços importantes, as políticas de SbN e bioeconomia ainda recebem menos prioridade política e institucional do que a transição energética. Persistem desafios relacionados ao financiamento, à fragmentação da governança, à escassez de dados, aos conflitos pelo uso da terra, à distribuição desigual de benefícios e às tensões entre crescimento econômico e conservação ambiental.

O relatório identifica oportunidades para ampliar a cooperação do BRICS em restauração de ecossistemas, agricultura resiliente ao clima, economia azul, economia circular e adaptação baseada na natureza. Também recomenda integrar o valor da natureza às decisões econômicas, ampliar o financiamento para a natureza por meio do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), harmonizar padrões e metodologias, criar projetos-piloto e fortalecer mecanismos permanentes de intercâmbio de conhecimento e políticas públicas, consolidando o papel do BRICS como liderança global em clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável.

 

Leia a publicação em inglês

 

Saiba mais a respeito deste tema nos boletins Brazil’s BRICS Presidency and COP30: Advances and Next Steps in the Climate AgendaClimate-nature Synergies at COP30 and beyond

 

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