Instituto Igarapé debate florestas, finanças para a natureza e futuro da ONU na Semana do Clima de Nova York
O Instituto Igarapé participou da Semana do Clima de Nova York (New York Climate Week 2026), em setembro de 2026, organizando e participando de eventos em torno de quatro agendas centrais: a Meta Global de deter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030; os debates sobre a escolha da próxima secretária-geral ou do próximo secretário-geral da ONU; a promoção da bioeconomia e das finanças para a natureza; e o fortalecimento das sinergias entre clima e natureza.
Ao longo da semana, o Instituto contribuiu para debates e propostas voltados à implementação dos compromissos globais de proteção das florestas, à mobilização de recursos para a natureza e à integração das agendas de clima e biodiversidade. Também acompanhou as discussões sobre a próxima liderança das Nações Unidas, defendendo que essas prioridades permaneçam no centro da atuação da organização.
Restauração da natureza e segurança econômica
Ilona Szabó, presidente e cofundadora do Instituto Igarapé, participou do debate “The New Security Agenda: Clean Energy, Nature Restoration, and Economic Security”, coorganizado pela ClientEarth e pela Global Commons Alliance.
O encontro abordou as conexões entre mudanças climáticas, segurança e economia, destacando como a restauração da natureza, a transição para fontes limpas de energia e o fortalecimento da resiliência podem contribuir para enfrentar riscos interdependentes.
A discussão reuniu Krzysztof Bolesta, secretário de Estado do Clima e Meio Ambiente da Polônia; Rachel Kyte, representante especial do Reino Unido para o Clima; Luc Bas, diretor do Climate Risk Assessment Centre da Bélgica (CERAC); e Wojciech Modzelewski, advogado da ClientEarth.
Integração entre clima, biodiversidade e combate à desertificação
A articulação entre as agendas ambientais internacionais também esteve entre as prioridades do Instituto durante a semana.
Giovanna Kuele, diretora adjunta de Cooperação Internacional do Igarapé, moderou uma sessão da Rio Nature and Climate Week, iniciativa da qual o Instituto é parceiro. O debate destacou a importância de aproximar as agendas de clima, biodiversidade e degradação da terra para fortalecer a implementação das três Convenções do Rio: a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
A sessão contou com a participação de João Paulo Capobianco, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil; do cientista Carlos Nobre; de Astrid Schomaker, da Convenção sobre Diversidade Biológica; de Andrea Meza, da Convenção de Combate à Desertificação; e de Natalie Samarasinghe, do Vibe Fund.
O encontro contribuiu para o debate sobre a necessidade de maior coordenação entre os processos multilaterais, considerando as conexões entre a proteção dos ecossistemas, o enfrentamento às mudanças climáticas e a recuperação de áreas degradadas.
Cooperação internacional para alcançar a Meta Global de Florestas 2030
Outro destaque da participação do Instituto Igarapé foi o evento ministerial “Closing the Gap Towards the Paris Agreement Global Stocktake Goal of Halting and Reversing Deforestation and Forest Degradation by 2030”, coorganizado pelo Instituto Igarapé, pela Global Optimism e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O encontro reuniu representantes de governos, organismos internacionais, instituições financeiras e organizações de povos indígenas para discutir prioridades e caminhos capazes de acelerar a implementação da Meta Global de interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030, estabelecida no contexto do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris.
Giovanna Kuele moderou o segmento final do evento, que contou com ministros e representantes de Brasil, República do Congo, Gabão, Colômbia, Equador, Indonésia, Costa Rica, Noruega e Reino Unido, além da Presidência da COP30.
Também participaram representantes de organizações de povos indígenas, instituições financeiras e organismos internacionais, incluindo o PNUD, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa ONU-REDD e a Iniciativa para as Florestas da África Central (CAFI).
A discussão reforçou a importância de fortalecer a coordenação internacional e articular iniciativas existentes para transformar os compromissos assumidos pelos países em ações efetivas de proteção e recuperação das florestas.
Ao reunir debates sobre segurança, restauração da natureza, governança multilateral e proteção das florestas, a participação do Instituto Igarapé na Semana do Clima de Nova York contribuiu para avançar uma agenda internacional que reconhece as conexões entre clima, natureza e desenvolvimento sustentável, com foco na cooperação e na implementação dos compromissos globais.