Pesquisa revela como crimes ambientais comprometem investimentos e clima
Fora do Radar mostra como a exploração ilegal e a violência ameaçam Brasil e Colômbia
O Instituto Igarapé e a Amazon Investor Coalition lançam o estudo Fora do Radar, que detalha como a Amazônia enfrenta uma convergência crescente de ameaças ambientais, territoriais e de governança. Segundo o relatório, redes atuam de forma coordenada para consolidar controle territorial na Amazônia por meio de intimidação, corrupção e cooptação de estruturas locais, formando o que se chama de “ecossistema de crimes ambientais” e provocando cenários que comprometem o desenvolvimento sustentável e as metas climáticas da região.
Fora do Radar aponta que, no Brasil, 56% dos entrevistados relataram se sentir inseguros e 12% muito inseguros para atuarem. Já na Colômbia, 39% se disseram inseguros e 16% muito inseguros. Na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal e incertezas fundiária e jurídica são identificadas pelas organizações locais como principais riscos à segurança. Conflitos sociais pelo uso da terra, especialmente com comunidades indígenas, também são recorrentes. Enquanto do lado colombiano, grupos armados e a instabilidade política são os maiores fatores de insegurança identificados.
“Sejamos claros: sem Estado de Direito, as metas climáticas e ambientais vão desmoronar. Garantir a legalidade é a única forma de proteger a Amazônia, seus territórios e seus povos. A COP30 tem que ser o ponto de virada”, analisa Robert Muggah, cofundador e Diretor de Inovação do Instituto Igarapé.
O estudo aponta para saídas nas quais investidores, doadores e governos integrem a análise de risco territorial e regulatório no planejamento de projetos e iniciativas. Além disso, a pesquisa do Igarapé e AIC alerta para a urgência de enfrentar dinâmicas pouco visíveis, como a extorsão e acordos com grupos ilegais, que refletem a ausência do Estado de Direito. Enfrentar essas situações exige compromissos de governança e mecanismos de responsabilização, favorecendo o empoderamento de comunidades locais, de povos indígenas e de quem atua diretamente no território.
“O fortalecimento do Estado de Direito não pode ser visto apenas como despesa pública, mas deve ser visto como investimento essencial em estabilidade, confiança de mercado e criação de valor a longo prazo. Ignorar estes desafios e relegá-los exclusivamente a instituições estatais subfinanciadas não os elimina, pelo contrário, os agrava: as lacunas de governança persistem, as economias ilícitas florescem e os riscos operacionais se elevam“, ressalta Yanê Amoras, Diretora de Pesquisa Jurídica da Amazon Investor Coalition (AIC).
Em ambos os países, os fatores críticos apontados incluem a precariedade econômica e a corrupção. Iniciativas como a Declaração de Belém, o Plano Amazônia e a Visión Amazonía são vistas como caminhos promissores, assim como Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, destacada como a oportunidade estratégica mais importante para a inclusão das seguranças territorial e regulatória nas agendas climática, de biodiversidade e de desenvolvimento sustentável.