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Com coordenação técnica do Instituto Igarapé, a campanha Instinto de Vida reúne mais de 30 organizações em sete países da América Latina

A cada quatro pessoas assassinadas no mundo, uma é brasileira, colombiana ou venezuelana. A América Latina, com apenas 8% da população mundial, concentra a maior quantidade de homicídios no mundo: 38% dos assassinatos no planeta ocorrem na região. O problema se concentra ainda mais em sete países: Brasil, Colômbia, El Salvador, Honduras, Guatemala, México e Venezuela. Cerca de 34% dos homicídios do mundo ocorrem nesses lugares.

 

Cansadas de ver seus países ocuparem as primeiras posições nessas tristes estatísticas, várias organizações da região criaram a aliança latino-americana Instinto de Vida.

 

A aliança latino-americana Instinto de Vida foi criada a partir da da união de dezenas de organizações não governamentais da região. A proposta é reduzir a violência letal à metade em 10 anos. Isso requer pressão e compromisso para políticas públicas inovadoras baseadas em evidências.

Ao redor do mundo, e mais especificamente na América Latina, reduções sustentáveis, inclusive de 10% e 15% anuais, já foram alcançadas.

 

A campanha Instinto de Vida é um chamado à ação voltado a autoridades e cidadãos para reduzir os homicídios nesses sete países da América Latina. Ao todo, 32 organizações integram a iniciativa, que tem apoio da Open Society Foundations e de organizações como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

No Brasil, pelo menos 50 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais tiveram conhecido, amigo ou parente vítima de homicídio ou latrocínio, indica a pesquisa  Instinto de Vida, encomendada pela campanha e produzida por Datafolha/Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Mais de um terço (35%) dos entrevistados informaram ter perdido alguém próximo em decorrência da violência letal.

Guia de políticas

Instinto de Vida lançou, no marco da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o guia “A América Latina pode reduzir os homicídios em 50% em 10 anos”. A publicação identifica o conjunto de ações que já mostraram efeitos positivos na redução da violência letal, selecionadas a partir da revisão de dados sobre o que funcionou ou não.

 

O documento mostra que a adoção de estratégias deve partir da intensa análise das características e necessidades locais, assim como um balanço dos custos e benefícios, das consequências previstas e não previstas de sua aplicação.

 

Entre as alternativas identificadas para a redução da violência letal, estão: a dissuasão focalizada, que mostrou sua efetividade para prevenir a violência coletiva gerada pelo crime organizado; a intervenção de “manchas criminais”, que permitem dedicar a capacidade do Estado nos bairros e ruas onde há maior concentração de homicídios; a redução da impunidade com o fortalecimento do sistema de Justiça; a regulação de armas de fogo e munições; estratégias de redução dos impactos do tráfico de drogas; terapias cognitivas de conduta e intervenção na primeira infância que abordem a violência interpessoal e doméstica.

Portal Vivos Em Nós

 

A primeira ativação da campanha Instinto de Vida é o portal Vivos em Nós (www.vivosemnos.org), cujo objetivo é manter viva a memória de vítimas de homicídios para mobilizar a sociedade em relação à redução de homicídios. Parentes e amigos poderão criar páginas exclusivas, com imagens, mensagens e informações sobre os casos. As homenagens serão usadas para, posteriormente, gerar conteúdo para pressionar autoridades a adotarem políticas públicas a fim de reduzir a violência.

O medo de ser assassinado na América Latina

A percepção dos cidadãos em seis dos países mais afetados pelos homicídios.

 

 

Esta pesquisa de opinião foi encomendada pela campanha Instinto de Vida e realizada pelo Latin American Public Opinion Project (Lapop) da Universidade de Vanderbilt, entre outubro de 2016 e março de 2017.