Nova plataforma de visualização mapeia homicídios no mundo

[Press Release] 5 de maio de 2015

A cada ano, centenas de milhares de homicídios são cometidos no mundo, mas, estranhamente, o tema é pouco discutido. Uma nova plataforma digital de visualização de dados lançada pelo Instituto Igarapé pretende mudar isso. O Observatório de Homicídios mostra que entre 437 e 468 mil homicídios acontecem anualmente, o que significa que cerca de 7 em cada 100 mil pessoas são assassinadas por ano. A ferramenta também revela que, em alguns países e cidades, o homicídio é a principal causa de morte para os jovens; em outros, a morte por esse tipo de crime é praticamente inexistente.

O Observatório de Homicídios é um aplicativo tridimensional fascinante que mostra a propagação global de homicídios. Por meio dele, é possível ver que um pequeno número de países é responsável por uma parcela desproporcionalmente grande dos assassinatos no mundo: uma em cada quatro pessoas mortas violentamente em 2012 era brasileira, colombiana, mexicana ou venezuelana. A América Latina e o Caribe são o epicentro do problema: com apenas 8% da população mundial, essas duas regiões concentram 33% da carga global de homicídios.

O Observatório de Homicídios exibe a distribuição, as dimensões e a dinâmica do homicídio ao redor do mundo. A ferramenta informa o número total de homicídios por país e sua frequência por 100 mil habitantes. Onde há dados disponíveis, esse número é dividido por sexo da vítima e o tipo de arma utilizado para praticar o crime. Dados de mais de 219 países e territórios, de 2000 a 2012, estão reunidos. Para a América Latina e o Caribe, há ainda informações específicas para estados e cidades com mais de 250 mil habitantes.

Homicídios no Brasil

O Brasil tem uma taxa de homicídios preocupante. A contagem de 2012 é de 56.337 pessoas, ou 29 para cada 100 mil. Aproximadamente 92% das vítimas foram homens, e 54% tinham entre 15 e 29 anos. O homicídio é a causa número um de morte entre pessoas nessa faixa etária. Segundo o diretor de pesquisa do Instituto Igarapé, Robert Muggah, “o país é um campeão mundial de homicídios — uma em cada dez pessoas assassinadas no mundo anualmente é um brasileiro.”

No Nordeste do Brasil, a situação é particularmente grave. Alagoas é o estado com o maior número de homicídios — 2.046 ou 64 para cada 100 mil em 2012, último ano em que há dados disponíveis. Lá, a taxa de homicídios vem crescendo de forma constante desde o ano 2000. A cidade de Ananindeua, no Pará, foi a que registrou a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes (125,7), com 608 assassinatos no ano. Em segundo lugar veio Serra, ES (89,5), seguida de Fortaleza, CE (76,8), João Pessoa, PB (76,5) e Cariacica, ES (72,6). Todas essas cidades apresentam taxas dez e até doze vezes mais altas que a média global em 2012.

Objetivo é influenciar

O objetivo do Observatório de Homicídios é provocar a reflexão e estimular o debate. “A ideia é chamar a atenção dos governos para a epidemia de assassinatos que afeta grandes áreas no mundo, especialmente a América Latina e o Caribe,” afirma Renata Giannini, pesquisadora do Igarapé e coordenadora do projeto. Segundo ela, o Observatório traz dados de todos os países, mas o foco são as áreas mais perigosas. “Nos próximos anos, nós iremos acrescentar dados mais específicos sobre a África e outras partes do mundo onde as taxas de homicídios são altas.”

O Observatório de Homicídios vai dedicar atenção especial às “estratégias que funcionam” para a prevenção e a redução de homicídios. O Instituto Igarapé reuniu alguns dos maiores criminologistas e profissionais de saúde pública do mundo para analisar os desafios e também propor soluções comprovadamente eficazes para o problema. A partir de maio, esses especialistas publicarão artigos curtos sobre o tema. As perspectivas virão da América Latina e do Caribe, mas também da América do Norte e do Leste Europeu, onde a taxa de homicídios caiu em 40% nos últimos dois anos.

São vários os fatores que explicam o declínio nos números de homicídios em países ricos e de renda média. Há causas estruturais — diminuição do tamanho das famílias, mais acesso à educação, melhorias no bem-estar social, e diminuição rápida da urbanização — e institucionais, como melhorias na aplicação da lei e o “hot spot policing” (policiamento intensivo em áreas “quentes”). Esse tipo de policiamento emprega dados para identificar áreas de alta criminalidade de uma cidade, permitindo que recursos humanos e materiais sejam direcionados para bairros, ruas e até mesmo edifícios específicos nos quais homicídios tenham ocorrido ou tenham probabilidade de ocorrer.

Para mais informações sobre o Observatório de Homicídios, favor entrar em contato com a FGuaraná.

Para acessar o Observatório, visite: www.homicide.igarape.org.br